[Blá blá blá]

Você já ficou tão irritada com alguma coisa que quis explodir tudo? E se você desenvolvesse poderes iguais ao do título português do filme, sem limites? Nada te impediria de bancar o Tetsuo certo?

Eu já banquei o Tetsuo dezenas de vezes no video game, isso mesmo, jogos violentos onde podia ser ainda mais violento! No segundo GTA por exemplo (aquele da visual de cima ainda no primeiro PlayStation), eu costumava fazer códigos pra ficar invulnerável, obter armas com munições infitas e destruir tudo. Nem os tanques de guerra eram páreos. Os anos se passaram, os jogos se tornaram mais realistas e ainda assim continuo achando que jogos ditos violentos não são estimulantes pra cagada, na verdade são otimos pra dar um fim ao estresse! É sério! Jogos de futebol por exemplo, tendem a ter um efeito contrário ao dos jogos de mundo aberto, você joga mal, perde uma partida, fica puto e não tem a opção de matar o adversário, ou seja, em vez de aliviar acaba a atividade ainda mais estressado!

[Fim do blá blá blá]

Poder Sem Limites tem um tom sério que é definido logo de cara. Com pouco tempo de filme percebemos que a casa de um dos personagens (Andrew) não é nenhum modelo de família feliz! Andrew não é popular na escola, sua mãe doente se mantém viva com dificuldade e o pai, por algum motivo desconhecido, não trabalha mais, vive amargurado e com o rabo cheio de cachaça. Somado tudo isso, basta adicionar super poderes e já podemos dizer pro capitão que isso aí vai dar merda!

Vamos resumir.

Andrew resolve sair andando com sua câmera filmando tudo, talvez um jeito de ver seu próprio o mundo por uma ótica menos horrível. É daí que vem o estilo de câmera do filme, aquele em que a pessoa por trás da câmera faz parte da trama, estilo Cloverfield e REC. Mas não se preocupe se não é fã desse estilo, as cenas são bem pensadas e a montagem flui perfeitamente!

Matt, é o primo  e único provável amigo de Andrew. Convence o deslocado a acompanha-lo até uma festa afim de conhecer alguém ou simplesmente se divertir. Claro que não dá muito certo, Andrew leva sua câmera que é praticamente um motivo a mais pra ser zuado pelos valentões. Logo Andrew vai pro lado de fora curtir sua solidão (conhecido também como simplesmente chorar). Até que aparece Steven pedindo pra ele o seguir e filmar o que havia encontrado junto com seu primo Matt, uma espécie de buraco ou caverna, uma vez lá dentro, eles tocam num cristal estranho que lhes conferem os poderes.

Pronto. Não precisa explicar muito, não importa de onde vem os cristais e muito menos os poderes. Só é mencionado telecinésia uma ou duas vezes… Agora Andrew pode filmar e manter as mão livres e os três vão fazer o que qualquer jovem “normal” com super poderes faria, brincar com eles. E a brincadeira mais hilária é a em que Steven, o negro esportista e descolado da turma, troca um carro de vaga num estacionamento para deixar a dona procurando, ele ainda diz: “yeah, dessa vez foi o cara negro”!

Aliás, o único clichê desse filme é matar o personagem negro no segundo ato. Eu juro que comecei a torcer pra que ele não tivesse um fim… Mas não foi dessa vez!

Finalizando, esse poderia ter sido um filme de ação exagerado, cheio de efeitos e completamente superficial. Mas a proposta do direto Josh Trank era outra, é uma exploração emocional. Diga-se de passagem muito bem realizada, créditos também aos três atores que fazem um trabalho competente. Os efeitos, embora às vezes óbvio, são agradáveis.

Ao contrário de Super 8, onde a idéia era mostar pessoas lidando com a perda e seguindo em frente, Poder Sem Limites mostra reações extremas diante da perda iminente e momentos de estresse. Por conta da vida infeliz, desde o início ja sabemos que é Andrew quem vai explodir e chegar ao final do filme surtado. Só nós resta acompanhar a viagem com indignação ou inveja. Nada mais!

No fim, Poder Sem Limites me lembrou um pouco o anime Akira, onde Andrew é Tetsuo e Matt o Kaneda… E que fique registrado minha opinião sobre o live-action do anime japonês: “Depois de Poder Sem Limites, o Akira de Hollywood é completamente desnecessário”!

Ah, estava me esquecendo… Logo logo Poder Sem Limites se tornará um cult dos filmes de “super-poderes”.

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